Sabe aquela história de “não acredite em tudo que você lê”? Pois é. No último fim de semana, dei de cara com duas gigantes corporativas desfilando suas credenciais ESG nas redes. O que me chamou a atenção? Não o que elas diziam. Mas o que eu descobri em meros 5 minutos de uma pesquisa básica.
Spoiler: a maquiagem caiu!
ODS 5: A Igualdade de Gênero Que Não Chega ao Topo
A primeira, um primor de comunicação. Posta, reposta, e posta de novo sobre igualdade de gênero (ODS 5). Um show de consciência, um engajamento que daria inveja a muito influenciador. Lindo de ver. Até você clicar no link “Relações Institucionais”.
Lá, a realidade: zero mulheres no board. Zero na diretoria. E, para não dizer que não tem, entre 12 líderes, a cota feminina batia em duas. Duas! A pergunta que não quer calar: será que o ODS 5 só vale para o marketing, ou a igualdade de gênero ainda não foi convidada para a sala da diretoria?
ESG 100%: Onde "Sustentável" Significa "Não Fui Multado Ontem"
A segunda empresa? Essa é para aplaudir de pé. Anuncia por terceiro ano consecutivo, sem pudor, que 100% dos seus fornecedores são sustentáveis. E, pasmem, seu “indicador ESG” também bate nos 100%. Uau! Que empresa exemplar, não?
O Ponto é: ESG Não É Slogan. É Lição de Casa.
Vamos ser francos: ESG não é um adesivo bonitinho para colar no seu relatório anual. Não é um post inspirador para ganhar likes. ESG é, antes de tudo, lição de casa. É método, é meta, é evidência, é consequência. É suor, não só discurso.
Se a sua narrativa ESG desmorona com 5 minutos de Google, sinto informar: você não tem um posicionamento estratégico. Você tem um marketing com verniz, e a tinta está descascando.
E Por Que Você, Que Paga a Conta (Ou Quer Receber Por Ela), Deveria Se Importar?
Agora, se você é um grande comprador, preste atenção: não seja ingênuo. Não engula indicadores ESG que parecem feitos de fumaça. Exija transparência, dados auditados, provas concretas. Seu dinheiro merece respeito, e sua reputação, mais ainda.
E se você é um fornecedor? Ah, meu caro, essa é a sua hora de brilhar. Enquanto a concorrência se perde em narrativas vazias, você prova. Você estrutura seu ESG de verdade, documenta, mostra a cara. Isso não é só “fazer o certo”. É uma vantagem competitiva que o marketing de ilusão jamais alcançará.
O Caminho Certo: Menos Slogan, Mais Suor
O ESG de verdade não é para os fracos. Exige a coragem de admitir: “Estamos no caminho, e sim, ainda temos muito a fazer”. Mas, principalmente, exige a disciplina de provar com ações, com indicadores que não mentem, com a humildade de mostrar o que ainda falta.
Porque, no fim das contas, o mercado não é bobo. Ele descobre. E quando a verdade vem à tona, o custo de consertar uma reputação manchada é infinitamente maior do que o investimento em um ESG que, desde o início, fosse real. Pense nisso.
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